Quem me conhece pessoalmente sabe perfeitamente que não gosto de política, embora os meus ideais me coloquem algures no centro tecnocrático do espectro político, com algumas saídas de extrema direita quando acordo mal-disposto…

Vi o debate entre o Professor Cavaco Silva e o Dr. Francisco Louçã com a devida atenção (a fazer zapping entre o AXN e a TVI) e não pude deixar de notar algo no discurso do último que sempre me perturbou na Esquerda política, e que já foi assinalado por outros indivíduos de superior capacidade intelectual à minha: Os esquerdistas assumem que todos os comportamentos desviantes do normal em relação à boa postura cívica se devem às diferenças, por vezes abissais, entre classes sociais mais ou menos desfavorecidas, a Utopia de que a igualdade para todos as pessoas levaria à paz social… Essa maneira de pensar é óptima, se vivermos no País das Maravilhas: o postulado não tem em conta a natureza do próprio Ser Humano como bicho filho de puta e mais de 2 mil milhões de anos de evolução biológica, connosco a protagonizar a subida mais violenta e sangrenta ao topo da cadeia alimentar. E nisso, Sr. Louçã, não podemos negar a Genética nem o papel do meio que nos rodeia… as pessoas sempre mataram, roubaram e maltrataram os seus semelhantes, está no nosso “sangue”, por assim dizer. A crise económica de certeza que não está a afectar as famílias de bandos de miúdos de classe média que vejo todos os dias na rua, numa onda muito “ghetto mob”, a pensarem que são o 50 cent e basicamente a darem vontade de os abater todos a tiro. A marginalidade, para além de nos estar no sangue (basta ver o aconteceu com o vácuo de autoridade no rescaldo do Katrina, em New Orleans), está na moda.

Os verdadeiros pobres não têm tempo para serem ladrões, estão demasiado ocupados a pensar como vão dar a próxima refeição aos seus filhos, a lutarem para sobreviver numa sociedade que dá rendimentos mínimos a traficantes de droga, chulos, agarrados e a outro tanto lixo humano. A marginalidade não é somente um fenómeno social; muito pelo contrário: é bestialidade, é o espírito humano no seu pior, é preguiça de singrar na vida pelos seus próprios meios, é facilidade.

Para mim, a esquerda peca neste aspecto com uma visão quase utópica do Homem, pela sua incapacidade de admitir que algumas pessoas já nascem más por natureza. Como o debate me pôs a pensar em muitas coisas intelectualmente estimulantes, mudei definitivamente para o AXN e deixei-me encantar pelo brilho estupidificante de explosões e tiroteios… foi o princípio de um belo serão.

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